06 Meias sujas



     Começa a correria dos brinquedos. Todos pulando dentro das caixas, subindo na estante, entrando dentro das gavetas, e Chuvisco ali, no meio daquele fuzuê todo sem saber pra onde ir.
Tufilo grita: “Corra piloto, se esconda!".

     Mas Chuvisco não sabe nem em que direção correr. Ele começa a ouvir som de passos do lado de fora do quarto. O som se aproxima cada vez mais, da porta do quarto. Ali, estatelado, o piloto continua sem tomar nenhuma atitude. Parece que dessa vez não tem jeito. É o seu fim.

     A maçaneta da porta começa a girar, quando a joaninha Tufilo alça vôo e rapidamente pega Chuvisco pela cabeça. Voando desgovernadamente, eles caem dentro do cesto de roupas sujas, no mesmo instante em que a porta se abre.
     Entram no quarto o pai e o menino.

     A criança deita na cama, o adulto a cobre com uma colcha de estrelinhas, dá-lhe um beijo na testa e sai do quarto, deixando o menino dormindo.

     Dentro do cesto de roupas sujas, Chuvisco e Tufilo se embolam entre muitas meias com cheiro de queijo.
- Minha nossa! O que esse pequeno humano tem nos pés??? - fala apavorado o apontador joaninha. - Até parece que ele lava os pés com baba de camelo!!! Coff, Coff!!!
- Obrigado por me salvar Tufilo. Se não fosse por você, não sei o que teria acontecido comigo!!!
- Não agradeça amigo. Sei que você faria o mesmo por mim! E se não o faria, agora terá que de fazer, porque você agora me deve isso!  -fala Tufilo, em tom de brincadeira.

     Enquanto a joaninha fala, Chuvisco começa a sair de dentro do cesto de roupas sujas. Tufilo fala tanto, que nem repara no piloto:
- ... então, sendo assim, você agora precisa me proteger. Se por acaso o “Monstro da Noite” aparecer, é dever seu tomar conta de mim, ainda mais quando... Ãh?!?! ...Chuvisco?!?!

     É quando o apontador joaninha se dá conta de onde o piloto está e grita: “Chuvisco! Volte pra cá seu boneco doido. Você não sabe que aí você corre perigo?”

     Mas Chuvisco não ouve mais o que Tufilo diz, e caminha em direção a estante alta. A estante onde o Boneco Branco fica guardado. Algo lhe chama para aquela direção, mas ele não sabe explicar bem o que é, e segue seus instintos. Ao chegar de frente a estante, o piloto olha para o cantinho onde fica o grande boneco, e lá não há nada. O boneco não está lá. Chuvisco entra em pânico, se lembra da história do “Monstro da Noite” e pensa o pior.

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