- Chuvisco! Ô,
Chuvisco! Onde é que você estava? – grita Tufilo, segurando os óculos.
Vindo em direção
ao piloto, que observa espantado o computador, ele dispara: – Eu te procurei
tanto, cheguei até pensar que o Monstro da Noite tinha vindo mais cedo e te
apanhado!!!
- Fique calmo
amigo, eu estou bem. Estava lá no alto do guarda roupa, refletindo!!!
- Ufh! Mas que
alívio. Senti tanta pena de você, pensando que tivesse sido levado! Você sabe o
que aconteceu ontem, depois que você desmaiou, né? – pergunta a joaninha doidinha.
Chuvisco não
entende o que Tufilo fala, e pede que o apontador joaninha lhe conte toda a
história:
- O caso é que
na noite anterior, depois que você desmaiou por causa do spray, eu te levei
para o Templo Xadrez, para o Rei e a Rainha cuidarem de você. Então falei que
voltaria para meu cantinho para descansar.
O Rei e a Rainha disseram que eu
passasse a noite lá, pois naquela hora, era muito perigoso de se transitar no
meio do quarto. Mas eu queria era descansar em meu cantinho. Já ouviu aquele
ditado, “Lar doce lar”? Então, aproveitei que você distraiu o Rei e a Rainha falando
coisas malucas enquanto dormia, e dei no pé.”
Nesse momento, o
pequeno ursinho branco e fofinho se aproxima de Tufilo e Chuvisco, e começa a
acompanhar a história.
O apontador, vendo
que os bonecos começaram a prestar atenção em sua história, continua a contar
com mais ênfase:
- Então, voando
para meu descanso merecido, ouvi um “psiu”, como se alguém me chamasse. Parei e
olhei para trás. Nada! Não havia ninguém, todos os brinquedos e o menino
descansavam. Eu não senti medo nenhum, mas resolvi voar um pouquinho mais
rápido, de volta pro meu cantinho.
De repente, um
vulto enorme passou muito rápido na minha frente. Vindo de cima para baixo,
quase encostando na minha cara. Eu continuei a não sentir medo algum. E novamente
o vulto passou, dessa vez vindo de baixo para cima, e me deu um empurrão
fortíssimo. Meus óculos voaram longe. Sem enxergar e ainda assim, sem medo, comecei
a voar para tentar não ser apanhado pelo terrível Monstro da Noite.
Mas como no
empurrão eu tinha perdido meus óculos, perdi a direção do Templo Xadrez. Não
podia mais voltar para pedir ajuda. Era eu e o Monstro enorme.
- E por que você
não gritou??? - pergunta Chuvisco intrigado.
- Por quê?!?!
Hã! – Tufilo pensa. – Para não acordar o menino que dormia!!!
- Mas estando
você em perigo, não seria bom se o menino acordasse para o monstro fugir??? - pergunta
o piloto, ainda mais intrigado.
O apontador
chega a franzir a testa de tanto pensar, até que olha para o curioso amigo e
diz: “Por favor, Chuvisco, não atrapalhe a história. Limite-se a ser o ouvinte,
certo???”
Então Tufilo
continua:
- Mesmo voando
muito rápido, pude sentir em alguns momentos que o vulto estava bem perto.
Houve horas em que senti o bafo quente do Monstro da Noite, que quase me engoliu
com uma enorme boca cheia de dentes enormes e...”
- Desculpe
interromper mais uma vez – Chuvisco sem graça corta a história. – Mas você
havia dito que estava sem óculos, certo???
- Certo. - responde
Tufilo sem paciência.
- Então, como
você sabia que o Monstro da Noite tinha uma boca enorme cheia de dentes, também
enormes??
- Chuvisco, quem
está contando essa história é você ou eu???
- Bem! É você,
mas...
- Voei
rapidamente, fugindo do Monstro. Sem direção, eu fui até o alto do quarto, e me
agarrei no ventilador de teto. - Tufilo continua a história como se sua
credibilidade continuasse invicta. - Mas o Monstro não era nada fácil de
despistar. Ele me viu lá no alto e danou a pular pra tentar me apanhar. Em
alguns momentos, ele esbarrou com seus dedos em meus pezinhos – estufando o
peito de orgulho, o apontador conclui. - Se tivesse sido qualquer outro boneco,
o pânico teria invadido sua razão. Mas com Tufilo não. Tufilo não teme nada
disso. Sou o mais bravo brinquedo que esse quarto possui.
Ao ouvir o
apontador dizer essas palavras, o Pequeno Ursinho Branco e Fofinho dá umas
risadinhas. Tufilo o olha de rabo de olho, e muito cinicamente abre as asinhas
como se fosse espreguiçar, assim empurra o Pequeno Ursinho Branco e Fofinho que
rola dali para longe.
Então prossegue
o apontador sem dar a Chuvisco, chance de poder pensar em alguma outra
pergunta: “O terrível Monstro da Noite
deu um pulo tão alto, que conseguiu dessa vez me segurar a perna e me puxou para
baixo. E quando caí no chão, olhei
diretamente para a cara dele. Mas como estava sem óculos, não consegui
reconhecê-lo. Vi apenas que ele era bem grande e forte. Era todo negro e tinha
os olhos bem pequenos e vermelhos. Se você pensa que tive medo, engana-se
totalmente. Me levantei e pulei pra cima dele com tudo. Dei um super golpe
mortal em seu pescoço. Um golpe que de tão poderoso, poderia derrotar o pior e
maior dos dinossauros em menos de dez segundos. Meu golpe foi certeiro, executei
perfeitamente todos os movimentos. Mas como estava sem os óculos, em vez de
acertar o pescoço do Monstro, acertei a cômoda de livros. Mas se você pensa que
o Monstro da Noite ficou ali esperando eu sair do meio dos livros, enganou-se
completamente.
Nesse meio
tempo, o Pequeno Ursinho Branco e Fofinho volta para perto de Chuvisco e
Tufilo, para continuar ouvindo a história que prossegue:
- Quando saí do
meio daquele monte de livros, voltei para lhe dar uma lição!!! E onde ele
estava? Sabe aonde? Ele havia fugido, com suas perninhas tremendo de medo. Ele
soube reconhecer um verdadeiro mestre de lutas. Quando notou que se ficasse ali
levaria a pior, resolveu fazer o que qualquer um faria. Fugiu de medo da ira de
Tufilo.
Ao ouvir o
apontador dizer essas palavras, o Pequeno Ursinho Branco e Fofinho dá umas
risadinhas. Tufilo o olha de rabo de olho, e...
... bem, o resto
você já sabe.
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