12 Na noite anterior...


- Chuvisco! Ô, Chuvisco! Onde é que você estava? – grita Tufilo, segurando os óculos.
Vindo em direção ao piloto, que observa espantado o computador, ele dispara: – Eu te procurei tanto, cheguei até pensar que o Monstro da Noite tinha vindo mais cedo e te apanhado!!!
- Fique calmo amigo, eu estou bem. Estava lá no alto do guarda roupa, refletindo!!!
- Ufh! Mas que alívio. Senti tanta pena de você, pensando que tivesse sido levado! Você sabe o que aconteceu ontem, depois que você desmaiou, né? – pergunta a joaninha doidinha.

     Chuvisco não entende o que Tufilo fala, e pede que o apontador joaninha lhe conte toda a história:
- O caso é que na noite anterior, depois que você desmaiou por causa do spray, eu te levei para o Templo Xadrez, para o Rei e a Rainha cuidarem de você. Então falei que voltaria para meu cantinho para descansar. 

     O Rei e a Rainha disseram que eu passasse a noite lá, pois naquela hora, era muito perigoso de se transitar no meio do quarto. Mas eu queria era descansar em meu cantinho. Já ouviu aquele ditado, “Lar doce lar”? Então, aproveitei que você distraiu o Rei e a Rainha falando coisas malucas enquanto dormia, e dei no pé.”

     Nesse momento, o pequeno ursinho branco e fofinho se aproxima de Tufilo e Chuvisco, e começa a acompanhar a história.

     O apontador, vendo que os bonecos começaram a prestar atenção em sua história, continua a contar com mais ênfase:
- Então, voando para meu descanso merecido, ouvi um “psiu”, como se alguém me chamasse. Parei e olhei para trás. Nada! Não havia ninguém, todos os brinquedos e o menino descansavam. Eu não senti medo nenhum, mas resolvi voar um pouquinho mais rápido,  de volta pro meu cantinho.

     De repente, um vulto enorme passou muito rápido na minha frente. Vindo de cima para baixo, quase encostando na minha cara. Eu continuei a não sentir medo algum. E novamente o vulto passou, dessa vez vindo de baixo para cima, e me deu um empurrão fortíssimo. Meus óculos voaram longe. Sem enxergar e ainda assim, sem medo, comecei a voar para tentar não ser apanhado pelo terrível Monstro da Noite.
Mas como no empurrão eu tinha perdido meus óculos, perdi a direção do Templo Xadrez. Não podia mais voltar para pedir ajuda. Era eu e o Monstro enorme.
- E por que você não gritou??? - pergunta Chuvisco intrigado.
- Por quê?!?! Hã! – Tufilo pensa. – Para não acordar o menino que dormia!!!
- Mas estando você em perigo, não seria bom se o menino acordasse para o monstro fugir??? - pergunta o piloto, ainda mais intrigado.
O apontador chega a franzir a testa de tanto pensar, até que olha para o curioso amigo e diz: “Por favor, Chuvisco, não atrapalhe a história. Limite-se a ser o ouvinte, certo???”

     Então Tufilo continua:
- Mesmo voando muito rápido, pude sentir em alguns momentos que o vulto estava bem perto. Houve horas em que senti o bafo quente do Monstro da Noite, que quase me engoliu com uma enorme boca cheia de dentes enormes e...”
- Desculpe interromper mais uma vez – Chuvisco sem graça corta a história. – Mas você havia dito que estava sem óculos, certo???
- Certo. - responde Tufilo sem paciência.
- Então, como você sabia que o Monstro da Noite tinha uma boca enorme cheia de dentes, também enormes??
- Chuvisco, quem está contando essa história é você ou eu???
- Bem! É você, mas...
- Voei rapidamente, fugindo do Monstro. Sem direção, eu fui até o alto do quarto, e me agarrei no ventilador de teto. - Tufilo continua a história como se sua credibilidade continuasse invicta. - Mas o Monstro não era nada fácil de despistar. Ele me viu lá no alto e danou a pular pra tentar me apanhar. Em alguns momentos, ele esbarrou com seus dedos em meus pezinhos – estufando o peito de orgulho, o apontador conclui. - Se tivesse sido qualquer outro boneco, o pânico teria invadido sua razão. Mas com Tufilo não. Tufilo não teme nada disso. Sou o mais bravo brinquedo que esse quarto possui.

     Ao ouvir o apontador dizer essas palavras, o Pequeno Ursinho Branco e Fofinho dá umas risadinhas. Tufilo o olha de rabo de olho, e muito cinicamente abre as asinhas como se fosse espreguiçar, assim empurra o Pequeno Ursinho Branco e Fofinho que rola dali para longe.

     Então prossegue o apontador sem dar a Chuvisco, chance de poder pensar em alguma outra pergunta:   “O terrível Monstro da Noite deu um pulo tão alto, que conseguiu dessa vez me segurar a perna e me puxou para baixo. E  quando caí no chão, olhei diretamente para a cara dele. Mas como estava sem óculos, não consegui reconhecê-lo. Vi apenas que ele era bem grande e forte. Era todo negro e tinha os olhos bem pequenos e vermelhos. Se você pensa que tive medo, engana-se totalmente. Me levantei e pulei pra cima dele com tudo. Dei um super golpe mortal em seu pescoço. Um golpe que de tão poderoso, poderia derrotar o pior e maior dos dinossauros em menos de dez segundos. Meu golpe foi certeiro, executei perfeitamente todos os movimentos. Mas como estava sem os óculos, em vez de acertar o pescoço do Monstro, acertei a cômoda de livros. Mas se você pensa que o Monstro da Noite ficou ali esperando eu sair do meio dos livros, enganou-se completamente.

     Nesse meio tempo, o Pequeno Ursinho Branco e Fofinho volta para perto de Chuvisco e Tufilo, para continuar ouvindo a história que prossegue:
- Quando saí do meio daquele monte de livros, voltei para lhe dar uma lição!!! E onde ele estava? Sabe aonde? Ele havia fugido, com suas perninhas tremendo de medo. Ele soube reconhecer um verdadeiro mestre de lutas. Quando notou que se ficasse ali levaria a pior, resolveu fazer o que qualquer um faria. Fugiu de medo da ira de Tufilo.

      Ao ouvir o apontador dizer essas palavras, o Pequeno Ursinho Branco e Fofinho dá umas risadinhas. Tufilo o olha de rabo de olho, e...
... bem, o resto você já sabe.

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